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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Arma Mais Poderosa do Malauí Seja Seus Mais De 10 mil Agentes Comunitários De Saúde,



Cai mortalidade infantil no mundo

Em 2008, pela primeira vez, o número de mortes de crianças menores de 5 anos fica abaixo dos 9 milhões, segundo dados do Unicef

Publicado em 12/10/2009 | The New York Times

O número anual de crianças que morrem antes do quinto aniversário caiu para abaixo dos 9 milhões pela primeira vez na história registrada, um marco significativo no esforço global para me­­lhorar as chances de sobrevivência das crianças, particularmente no mundo em desenvolvimento, segundo dados recentemente lançados pelo Unicef.

O índice de mortalidade infantil caiu em mais de um quarto nas últimas duas décadas – para 65 por mil nascidos vivos no ano passado, contra 90 no ano de 1990 –, em grande parte devido à ampla distribuição de tecnologias relativamente baratas, como vacina contra sarampo e redes contra o mosquito da malária.

Outras práticas simples ajudaram, afirmam especialistas em saúde pública, incluindo um aumento da amamentação nos primeiros seis meses de vida, que protege as crianças da diarreia causada por água suja.

Países ricos, agências internacionais e filantrópicas, como a Bill and Melinda Gates, comprometeram bilhões de dólares no esforço. Crianças em idade escolar e grupos de igreja também deram sua contribuição, pagando pelas redes de mosquito e pelos programas de alimentação.

Juntos, eles ajudaram a reduzir o número de crianças menores de 5 anos que morreram no ano passado para 8,8 milhões – o menor desde os primeiros registros, em 1960, disse o Unicef –, contra 12,5 milhões em 1990. “São 10 mil crianças a mais vivendo por ano”, disse a diretora executiva do Unicef, Ann M. Veneman.

Mesmo assim, ainda há um longo caminho pela frente antes de alcançar a meta estabelecida pelos líderes de 189 países em 2000: reduzir o índice de mortalidade em dois terços até 2015. A pneumonia e a diarreia, as duas principais causas de morte infantil, ainda são relativamente negligenciadas, especialmente em comparação com a malária e o sarampo, afirmam especialistas.

“Se nós acreditarmos que podemos salvar as crianças, e atacarmos o problema de forma sistemática, parte por parte, podemos avançar. É realmente importante que as pessoas saibam disso”, disse Melinda Gates em entrevista.

Uma das quedas mais vertiginosas na mortalidade infantil ocorreu aqui, em um país tão pobre que metade das crianças sofre com a má-nutrição, tão privado de médicos e enfermeiros que os trabalhadores com ensino médio dispensam antibióticos. Mesmo assim, para cada mil bebês nascidos aqui, 125 crianças a mais sobreviveram até o quinto aniversário em 2008 em relação a 1990, como mostram os novos dados.

O sucesso do Malauí e dos países do mundo em desenvolvimento não era inevitável. A África do Sul, o país mais rico da África sub-saariana, mas afligido pelo que cientistas e médicos chamam de liderança política falha em relação à política de saúde na última década, é um dos apenas quatro países que apresentaram um aumento nos índices de mortalidade para crianças até 5 anos de idade, de 1990 a 2008. Os outros foram Chade, Congo e Quênia, de acordo com os novos números, que derivam que uma análise de pesquisas domiciliares e outros dados do Unicef, da Organização Mundial de Saúde, do Banco Mundial e da divisão de população das Nações Unidas.

O Malauí ilustra a essência dos esforços de maior sucesso para reduzir a mortalidade infantil: o país descobriu muitas formas criativas de obter os tratamentos com melhor custo-benefício e métodos de prevenção para mulheres e crianças, até mesmo em áreas rurais remotas. Essas intervenções não apenas incluíram redes de mosquito e vacina, mas também medicamentos de verme e suplementos de vitamina A, que melhoram a imunidade das crianças.

Talvez a arma mais poderosa do Malauí seja seus mais de 10 mil agentes comunitários de saúde, com ensino médio. Com um mí­­nimo de dez semanas de treinamento, listas de verificação para ajudá-los no diagnóstico dos maiores causadores de mortes in­­fantis e bicicletas robustas para perambular por aí, eles administram remédios e dão injeções, tarefas realizadas apenas por médicos e enfermeiros em muitos outros países.

“Hoje em dia, quando uma criança fica doente durante à noite, a mãe pode bater à porta de um agente de saúde”, disse Teresa Frazier, 40 anos. Sua própria filha de 5 anos morreu depois de fi­­car gravemente doente uma noite, quando Frazier era uma jovem mãe de uma vila malauiana de cabanas de barro que, naquela época, estava a muitos quilômetros de distância do médico mais próximo.

No entanto, no pôr do sol de um dia recente, Frazier caminhava em direção à pequena casa de dois cômodos de Blessings Mwa­­raya, 27 anos, agente de saúde que mora entre bananeiras, abacateiros e mangueiras. Frazier, que deu à luz nove filhos, dos quais sete sobreviveram, disse que não poderia ter mais.

Ela tinha vindo para receber uma injeção do anticoncepcional Depo Provera. Mwaraya, que ganha US$ 90 por mês, sacudiu cuidadosamente o pequeno vidrinho contendo a solução, colocou-a na seringa e aplicou a injeção no braço da mulher. Especialistas em saúde afirmam que o planejamento familiar permite às mulheres espaçar o nascimento de filhos e ter menos bebês. Isso ajuda a criar bebês mais saudáveis e possibilita um melhor sustento para as crianças, durante seu crescimento.

“Ainda é difícil alimentar a todos”, disse Frazier, referindo-se aos filhos sobreviventes, observando a fraca colheita de milho de seu pequeno terreno. Se Mwaraya estivesse na vila quando Frazier era jovem, ela poderia ter escolhido ter apenas quatro filhos, disse.

Mwaraya guardava o Depo Provera em uma caixa simples de madeira, dividida em compartimentos cheios de tratamentos para muitos dos causadores das mortes de crianças: o co­­trimoxazole, um antibiótico de baixo custo, contra pneumonia; sais de rehidratação oral para diarreia; e Coartem, um remédio para malária.

“Meu interesse era assistir meus colegas malauianos que estavam doentes, mas nunca tiveram oportunidade de tratamento aqui na vila”, disse Mwaraya, vestida em um uniforme de calça azul-claro e uma jaqueta de manga curta.

O ritmo do progresso no Malauí e seis outros países com algumas das maiores proporções de crianças mortas – Nepal, Ban­­gladesh, Eritreia, Laos, Mongólia e Bolívia – tem sido muito mais acentuado que a média global, conforme mostram os novos dados. Em cada um desses países, o índice de mortalidade infantil caiu pelo menos 4,5% ao ano.

No Malauí, a taxa de mortalidade para crianças abaixo dos 5 anos caiu para 100 mortes a cada mil nascimentos em 2008, contra 225 em 1990 e 336 em 1970. Ou­­tros países pobres, como o Níger, Moçambique e Etiópia, também reduziram o número de mortes por mil nascimentos em mais de cem desde 1990, segundo os novos dados.

Doris Hebuye, uma mulher magra e sociável, ouvia a distância, uma manhã, enquanto sua filha Fanny, que foi mãe recentemente, ninava seu bebê de dez dias. Um agente de saúde aconselhou Fanny Kasipati, 18 anos, sobre a amamentação, os sinais de doença do bebê e as opções de métodos anticoncepcionais.

Hebuye estava do lado de fora de sua cabana de barro, na vila de Tetheleya. Seus olhos tinham um olhar triste e distante, en­­quanto ela descrevia a morte de dois de seus sete filhos – Gus­­tus, aos 3 anos, e Margaret, com 1 ano de vida –, por mo­­tivos que ela nunca chegou a entender realmente.

“O Malauí está mudando para melhor”, disse ela. “Naquela época, as pessoas davam à luz sem aconselhamento. Hoje em dia, as mulheres são assistidas de muitas formas”.


Segunda-feira, 12/10/2009

Juda Ngwenya/Reuters

Juda Ngwenya/Reuters / Bill Gates, por meio da fundação Bill and Melinda Gates, doou milhões de dólares para reduzir a mortalidade infantil na África Bill Gates, por meio da fundação Bill and Melinda Gates, doou milhões de dólares para reduzir a mortalidade infantil na África


fonte;portal.rpc.com.br/gazetadopovo/saude/

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