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domingo, 20 de setembro de 2009

O dia mais esperado chegou. Era fim de tarde, quando o jovem Marciano Menezes da Silva, 16 anos, cruzou, nos braços do pai,

De volta para casa depois do milagre

Publicado em 19.09.2009, às 00h01

Ciara Carvalho Do Jornal do Commercio
O menino comeu a sonhada macarronada e poderá usar o colchão novo, comprado pelo pai, que ainda está no plástico [+ veja a galeria]
O menino comeu a sonhada macarronada e poderá usar o colchão novo, comprado pelo pai, que ainda está no plástico [+ veja a galeria]
Foto: Alexandre Severo/JC Imagem

FLORESTA – O dia mais esperado chegou. Era fim de tarde, quando o jovem Marciano Menezes da Silva, 16 anos, cruzou, nos braços do pai, a cerca de madeira do sítio onde vive a família, na zona rural de Floresta, Sertão pernambucano. Ainda na ambulância, os irmãos correram para abraçá-lo. O mais novo, Janilson, 7 anos, com medo, escondeu-se. Já na sala, foi se chegando aos poucos. De mansinho, até apertar a mão do irmão e levar Lobinho, o cachorro vira-lata, ao encontro do dono. Marciano finalmente estava em casa. Até chegar ali, tinha enfrentado sete horas de viagem e 343 dias internados no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), onde entrou para a história da medicina como o primeiro brasileiro a vencer a raiva, contraída por mordida de morcego. Ontem, pela manhã, ao deixar o hospital, despediu-se, com um sorriso que parecia não ter fim: “Tchau para todo mundo”.

SAIBA COMO AJUDAR

A família estava tão ansiosa quanto o garoto. Tinha passado o dia se preparando para recebê-lo. A macarronada que o menino encomendou ainda no hospital estava pronta e Marciano comeu um prato de dar gosto. “Ele sempre teve apetite bom”, disse a mãe, Sônia Oliveira de Menezes, 45. O pai, João Gomes de Menezes, 52, havia mandado comprar um colchão novo, que ainda estava no plástico. “Amanhã vou comer bode e rubacão (baião de dois)”, avisou Marciano, enquanto devorava a macarronada. Na casa humilde e praticamente sem móveis, faltou espaço para tanta felicidade. “É um milagre. Ele é um menino especial. Lutou e venceu. Só temos que estar felizes. A chegada dele faz dessa casa uma casa abençoada”, emocionou-se Solange, tia do garoto.Sentir-se de novo em casa era tudo o que Marciano queria. “Agora a família precisa tirar férias do hospital, voltar para casa, sentir o cheiro do ambiente. Foi quase um ano morando aqui. Isso vai fazer muito bem a eles”, acertou o infectologista Vicente Vaz, adivinhando a alegria que estava por vir. A alta médica, dada ontem, será uma pausa para a próxima etapa do tratamento. Dentro de três semanas, o adolescente deve voltar ao Recife para fazer exames e se submeter a cirurgia no quadril para ajudar na reabilitação motora.

O adolescente recuperou movimentos dos braços e se alimenta sozinho. Mas a musculatura das pernas continua atrofiada, o que o impede de andar. O chefe da equipe médica, o infectologista Gustavo Trindade, disse que ainda não se sabe onde será feita a operação. “Vamos conversar com ortopedistas e ver a melhor opção.” Na semana passada, Marciano foi avaliado por uma equipe multidisciplinar da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que ficará responsável pela fisioterapia do garoto, após a cirurgia.

Homem reservado e de pulso firme, seu João, pai de Marciano, não segurou as lágrimas na saída do hospital. "Estamos aliviados com a recuperação dele. Posso dizer que a batalha está só na metade do caminho. Temos que ter força para continuar. E nós teremos.” Não foi o único a não conter a emoção. A infectologista Andrezza de Vasconcelos e a fonoaudióloga Daniela Silva, que cuidaram de Marciano como um filho, também caíram no choro.

“É um choro de felicidade. É uma alegria enorme ver Marciano saindo daqui com vida. Tudo isso é um sonho. Amamos muito ele. É como se fosse da família”, contou Andrezza. Médicos, pacientes, curiosos, todos queriam se despedir e tirar fotos com o menino que venceu uma doença que, até ele existir, matou todas as vítimas no Brasil.

Caso raro, igual ao dele só mais um nos Estados Unidos. Marciano terá agora que vencer outra batalha: a dificuldade financeira. Ao sair do hospital, precisará de remédios e condições mínimas para continuar o tratamento em casa. O médico Gustavo Trindade fez apelo em nome da família, de agricultores humildes. “Ele vai precisar de toda a ajuda possível. Não podemos permitir que os avanços feitos até aqui esbarrem na falta de condição financeira.” Ontem, horas antes de deixar o hospital, Marciano ganhou uma cadeira de rodas. Foi o primeiro gesto nesse recomeço de vida do menino que venceu a raiva.

Serviço

Banco Real/Ag. 1035-9/Conta Poupança 21743385-1
Beneficiário: João Gomes de Menezes fonte:JC ONLINE

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