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terça-feira, 15 de setembro de 2009

OS AGENTES DE ENDEMIAS ESTÃO DE PARABÉNS PELO BELO TRABALHO NO COMBATE AO MOSQUITO Aedes Aegypti



Brasil tem rede de monitoramento para avaliar a resistência do Aedes aegypti

Por Redação Pantanal News/Notícias.MS

Brasília (DF) - No Brasil, a rede de monitoramento foi criada em 1999 para avaliar a resistência do Aedes aegypti a produtos usados no controle deste mosquito. Baseado nos resultados dos testes realizados por esta rede, o Ministério da Saúde implantou medidas de manejo da resistência a inseticidas. A principal é o uso adequado e racional dos produtos, que devem ser aplicados somente em situações em que outras medidas não são possíveis, como a limpeza e eliminação manual de criadouros.

Atualmente, o Programa Nacional de Controle da Dengue coordena a Rede de Monitoramento da Resistência de Aedes aegypti a Inseticidas, cujo laboratório de referência nacional está localizado no Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Entre as funções da instituição está a coordenação, em conjunto com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, de estudos de avaliação da eficácia, eficiência e efetividade de produtos para controle de Aedes aegypti. Um dos critérios para participar dos estudos é ter avaliação prévia da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Prevenção de focos é a melhor estratégia de combate

O uso de inseticidas é importante em situações de epidemias, mas a prevenção cotidiana, com a eliminação de criadouros do Aedes aegypti pela população é fundamental. Conhecer os hábitos do vetor pode ser muito útil nesta tarefa. O Aedes aegypti é um mosquito doméstico, vive dentro ou ao redor de domicílios ou de outras construções frequentadas por pessoas. Está sempre perto do homem e não se aventura às matas. O vetor tem hábitos preferencialmente diurnos e, nos ambientes domésticos, os mosquitos adultos são encontrados com frequência em lugares como atrás de cortinas, em nichos de estantes e embaixo de mesas e cadeiras.

A infestação por Aedes aegypti é maior no verão, em função da elevação da temperatura e da intensificação de chuvas – fatores que propiciam a reprodução do mosquito. Para evitar esta situação, é preciso adotar medidas permanentes para o controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações preventivas de eliminação de focos do A. aegypti.

Uma única fêmea de A. aegypti pode dar origem a 1.500 mosquitos durante a sua vida. A cada postura, os ovos são distribuídos por diversos criadouros. Um ovo pode resistir até um ano sem eclodir, por isso é muito importante lavar, com escova e palha de aço, as paredes dos recipientes que não podem ser eliminados, onde o ovo pode permanecer aderido.

Do ovo à forma adulta, o ciclo de vida do A. aegypti varia de acordo com condições climáticas, a disponibilidade de alimentos e a quantidade de larvas existentes no mesmo criadouro, uma vez que a competição de larvas por alimento em um mesmo criadouro com pouca água consiste em um obstáculo ao amadurecimento do inseto para a fase adulta. Nas condições típicas do Rio de Janeiro, por exemplo, esse processo geralmente leva um período de oito a doze dias.

Doença febril que pode matar

A dengue é uma doença febril que pode se apresentar de forma benigna ou grave. A enfermidade pode ser causada por quatro tipos de vírus: DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4. Cada um desses vírus causa a doença apenas uma vez em cada acometido, que fica “imunizado” contra o mesmo agente. Portanto, as formas de apresentação da dengue são a benigna (sem complicações importantes) e a grave (como na forma hemorrágica ou com complicações, que podem levar à morte).

Ações reduzem casos e óbitos por dengue em 2009

O último balanço parcial de casos de dengue, divulgado no dia 24 de agosto pelo Ministério da Saúde, apontou redução de 47,9% nas notificações da doença, confirmando tendência verificada nas avaliações já feitas em 2009. A análise comparou os registros de casos de dengue dos Estados e do Distrito Federal entre janeiro e 4 de julho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Neste intervalo, em 2009, foram notificados 387.158 casos da doença, contra 743.517 em 2008.

Em 20 Estados e no Distrito Federal houve redução no número de pessoas com dengue. O destaque foi o Estado do Rio de Janeiro, com a maior queda (96,2%). Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registraram aumento. De acordo com o boletim, com exceção do Amapá, esses Estados mais Minas Gerais e Goiás concentraram 76,9% das notificações de 2009.

Também foi registrada queda (de 80,7%) nos casos graves de dengue, que passaram de 20.229, em 2008, para 3.896, em 2009. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD).

O último boletim mostrou, ainda, uma redução de 65,7% nas mortes em decorrência da dengue. De acordo com dados enviados até o início de julho, houve 156 óbitos este ano, enquanto que no mesmo período do ano passado ocorreram 455.

Desafio de controlar a doença

O crescimento desordenado das cidades é um dos principais fatores que favorece a existência da dengue no mundo. No Brasil, não é diferente. O País concentra mais de 80% da população na área urbana, com importantes problemas no setor de infra-estrutura, como dificuldades para garantir o abastecimento de água, a coleta e o destino inadequados do lixo.

Outros fatores que também contribuem para que ocorram casos de dengue é a acelerada expansão da indústria de materiais descartáveis, como garrafas de plástico e o clima quente e úmido nos trópicos. O tráfego e movimentação de mercadorias também contribuem para a dispersão do mosquito da dengue porque ele pode viajar com os produtos transportados. Além disso, ainda não existe vacina contra a dengue. Esses são alguns dos fatores que impedem a erradicação da doença.

Por estes fatores, para controlar a dengue é essencial a vigilância do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Este é uma das principais ações desenvolvidas pelas vigilâncias epidemiológicas dos Estados e municípios, como recomenda o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) do Ministério da Saúde. O trabalho da vigilância entomológica, como é conhecido tecnicamente, vai desde a coleta de larvas do mosquito até a análise da informação das áreas com presença do Aedes aegypti.

Os resultados das análises orientam ações da Secretaria Municipais de Saúde para controlar o mosquito nas áreas de risco e evitar a transmissão da dengue. As ações incluem a intensificação do trabalho de agentes de saúde e ações de comunicação para esclarecer a comunidade sobre como evitar criadouros do Aedes aegypti e o que fazer se tiver os sintomas da doença como febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, nas articulações e indisposição.

A forma mais comum e eficiente de controlar o mosquito da dengue é eliminar criadouros. Quando eliminados os locais onde o mosquito nasce e cresce, quebra-se a cadeia de transmissão da doença. Os criadouros são locais com água parada, limpa e sombreada onde a fêmea do Aedes aegypti deixa seus ovos, que eclodem ao entrar em contato com água e se desenvolvem até a fase adulta em poucos dias. A eliminação de criadouros é responsabilidade de todos - poder público, iniciativa privada, sociedade civil organizada e da população.

Um criadouro pode ser um vaso, uma garrafa, um copo de iogurte, uma piscina, uma calha entupida, uma caixa d’água mal tampada, um pneu, uma tampinha. Ou seja, qualquer recipiente que acumule água parada e limpa.

Nos municípios, esse trabalho é orientado pelos agentes de saúde e deve ser mantido diariamente pela comunidade. Por isso, as campanhas contra a dengue sempre chamam a população a participar do combate ao mosquito. Em locais como praças e prédios públicos, esse trabalho é do agente de saúde. Embora nas residências a responsabilidade seja do proprietário, assim como em lotes baldios, excepcionalmente o agente executa essa tarefa, especialmente com o uso de larvicida.

Na iniciativa privada, os empresários devem estimular ações de prevenção e controle da doença. As organizações não governamentais e outras entidades também devem investir na divulgação de informações e realização de atividades que reforcem o controle da doença.

Com relação ao controle químico, os produtos usados para matar as larvas do mosquito são aplicados pelos agentes em recipientes que não podem ser eliminados, como tanques e jarros que armazenam água para consumo doméstico. Mesmo nestes casos, a população deve cobrir adequadamente esses recipientes para evitar larvas do mosquito.

Portanto, quando não é possível eliminar ou proteger os criadouros, que é onde a larva se desenvolve até virar mosquito, a recomendação é utilizar medidas de controle químico ou biológico com o uso de larvicidas. Medidas de controle do vetor na fase adulta só são recomendadas em situação de surto ou epidemia.

Dengue no mundo

Em 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimava que cerca de 80 milhões de pessoas são infectadas anualmente, em todo mundo, com exceção apenas da Europa. Desse contingente, aproximadamente 550 mil chegavam a ser hospitalizados, e 20 mil vinham a óbito. Ainda segundo dados da OMS, as áreas infestadas pelo Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença, concentravam 3,5 bilhões de pessoas, o que evidenciava, e ainda evidencia, o alto risco de grandes epidemias em áreas que não mantenham ações de vigilância epidemiológica da dengue.

Velho conhecido

Antigo habitante do planeta, o Aedes aegypti, mosquito de uma espécie hematófaga, originária da África, chegou ao continente americano com a colonização, ou seja, em meados do Século XV. Os primeiros casos da doença foram registrados no Século XVIII, em Java, no Sudeste Asiático, e no Estado da Filadélfia, nos Estados Unidos da América. Apesar de pessoas adoecerem ao longo de séculos com sintomas da dengue, a doença só foi reconhecida no Século XX pela OMS, organismo internacional especializado em Saúde Pública, criado no ano de 1948, como sede em Genebra, na Suíça.

Quanto aos casos de Febre Hemorrágica de Dengue (FHD), forma mais grave da doença, oficialmente as primeiras ocorrências foram descritas nas Filipinas e Tailândia, na década de 1950. Em meados de 1960, houve a intensificação da circulação do vírus na Américas.

O nome dengue vem de "manha", "melindre", por causa do estado de prostração a que a doença leva a sua vítima. Tanto que um dos sintomas mais comuns e contundentes, quando eles aparecem - uma vez que há doentes assintomáticos (sem sintomas), são as dores no corpo, em especial nas articulações. Esse sintoma pode vir acompanhado de dor de cabeça, febre e náuseas. Quando o quadro inclui sangramento (nas gengivas ou junto com as fezes), caracteriza-se a forma hemorrágica da dengue, que pode levar à morte.


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