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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Agentes de endemias voltam à rua onde morreu menino com dengue hemorrágica no Verdão e flagram descaso de donos que mantêm criadouros

Geraldo Tavares/DC

Geraldo Tavares/DC

Maior preocupação ainda reside na manutenção de reservatórios de água sem tampa nos quintais
KEITY ROMA
Da Reportagem

Agentes comunitários de saúde detectaram a existência de ao menos sete terrenos baldios no entorno da casa da criança que morreu esta semana no bairro Verdão com suspeita de dengue hemorrágica. As equipes realizaram o bloqueio epidemiológico na região e mais uma vez confirmaram que apesar do risco que as áreas abandonadas apresentam, ainda está nos quintais de casas habitadas a maioria dos criadouros do Aedes aegypti.

Não se pode dizer que a trágica e repentina morte do menino Leonardo Oliveira Pereira, aos 12 anos, despertou nos vizinhos temor ou sequer a consciência para importância de cuidar de seus quintais. Na casa em frente a que ele morava, os agentes encontraram uma gaveta de geladeira com água parada, repleta de larvas do mosquito transmissor da dengue, um dia após o falecimento da criança.

Há oito meses já havia morrido no mesmo bairro com o vírus a menina Ana Laura Almeida, aos 7 anos. A mistura de desleixo popular com o descaso público parece estar custando caro, principalmente às crianças. No Verdão, 89 pessoas já contraíram a doença, seis casos foram de dengue hemorrágica ou com complicações, as duas mortes notificadas na área foram de crianças.

Difícil de acreditar, mas há no bairro quem atribua o falecimento de Leonardo a circunstâncias do destino. “O que tem que acontecer, acontece. Não adianta ter medo (da doença)”, falou o aposentado José de Almeida, 66 anos, 49 deles vividos na rua Eduardo Gomes Monteiro. Incluso entre os fundadores do Verdão, Almeida viu a criança nascer e ser levada pela dengue. Na casa de Leonardo o dia foi de silêncio.

Talvez pela insignificância do Aedes aegypti, ao menos em tamanho, a população da área parece considerá-lo ainda inofensivo. “Por mais que a TV esteja mostrando a gravidade da doença e explique, ninguém acha que vai acontecer na sua casa. Tem gente que não deixa sequer a equipe de agentes entrar para checar o quintal. Acham que no seu quintal não tem criadouro e, geralmente estão enganados”, alertou o agente de controle de endemias, Cleiton Almeida.

A visita rápida, que dura pouco mais de cinco minutos, acompanhada da adesão do morador pode poupar vidas. Os agentes visitaram as casas que ficavam a até 400 metros da casa de Leonardo - que faleceu segunda-feira. Uma delas foi a de Miguelina Santos Nascimento, 70 anos. Nem assustada, muito menos conformada, a aposentada sabe que pode ajudar a combater a doença. Leonardo costumava brincar com o neto dela, de 10 anos.

Desde 2002, ela faz questão de receber os agentes em casa, onde ninguém nunca contraiu a doença. Miguelina mantém o quintal sempre limpo, troca a água do cachorro todos os dias, mas ainda considera o ditado de que uma andorinha não faz verão. “A gente cuida do nosso quintal, mas não adianta, se o vizinho não cuida do dele”, lamentou, lembrando que também falta atuação da prefeitura contra os terrenos baldios. Este ano ao menos 55 pessoas já morreram com suspeita da dengue hemorrágica em Mato Grosso, 15 delas, em Cuiabá.

fonte:www.diariodecuiaba.com.br

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